Flávio Bolsonaro diz ser alvo de 'perseguição desproporcional' e reclama de vazamento de notas emitidas para empresa ligada ao Master
Flávio Bolsonaro adotou costume de fazer lives, como o pai, e apareceu com camiseta de futebol nesta quinta (23). Reprodução/YouTube O senador e pré-candida...
Flávio Bolsonaro adotou costume de fazer lives, como o pai, e apareceu com camiseta de futebol nesta quinta (23). Reprodução/YouTube O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta quinta-feira (23), durante uma live no YouTube, ter sido vítima do que chamou de "quebra de sigilo ilegal" após vir à tona que seu escritório de advocacia emitiu notas fiscais em 2025 para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master. "Vem para a imprensa uma nota fiscal que só quem tinha era o meu escritório ou algum órgão do governo, Receita Federal, Secretaria de Fazenda do DF, só esses entes públicos tinham, e o meu escritório. Portanto, jamais alguém poderia expor isso publicamente. Isso é quebra de sigilo ilegal", afirmou. Documentos mostram que, no dia 7 de abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu duas notas, de R$ 500 mil cada, para a empresa Copenhagen Assessoria e Consultoria. Elas foram canceladas no mesmo dia. Durante a live, o senador negou irregularidades e disse que está sendo "acusado de não aceitar trabalhar para uma empresa que supostamente tem alguma coisa com [Daniel] Vorcaro", ex-banqueiro preso por fraudes bilionárias. Flávio afirmou que há uma "perseguição desproporcional" contra ele e o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Eu sou uma pessoa altamente perseguida, não é de agora. Nunca reclamei de ser questionado de nada, mas está acontecendo algo completamente desproporcional", disse. A Copenhagen tinha como diretor Artur Figueiredo, gestor da administradora de fundos Trustee DTVM. Tanto a Trustee quanto Figueiredo são citados nas investigações sobre o Master, sob suspeita de participação nas fraudes do banco. Também em abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu outra nota fiscal de R$ 500 mil, esta para a Contábil Correa, pelo serviço de "assessoria jurídica". A Contábil está registrada em nome de Rogério Novo, que virou diretor da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025, no lugar de Artur Figueiredo, segundo os registros na Junta Comercial de São Paulo. O senador admite que prestou serviços para a Contábil Correa e que chegou a negociar com a Copenhagen. “Eu advogo, inventam alguma coisa para tentar me atacar, como se houvesse algo de ilegal na minha advocacia. Tem um investimento privado em um filme e, daqui a pouco, transformam isso em algo ilegal”, disse o parlamentar, referindo-se aos repasses de R$ 61 milhões de Vorcaro para bancar a produção do filme "Dark Horse", que conta a história de Jair Bolsonaro. Nesta quinta, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito sobre o caso. Trégua com Michelle Bolsonaro A live de Flávio foi realizada horas depois de ele publicar nas redes sociais um vídeo em que pediu desculpas a Michelle Bolsonaro e disse contar com a ajuda dela na sua campanha. “Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar. Eu tenho a convicção que a gente compartilha do mesmo objetivo, trabalhar por um Brasil mais seguro, próspero e cheio de esperança. As portas estão abertas”, disse o senador. Em vídeo, Flávio Bolsonaro pede reaproximação de Michelle: 'As portas estão abertas' A ex-primeira-dama respondeu o recado também com um vídeo: "Eu te desculpo". "Todos nós cometemos erros, isso é humano, e o seu gesto de vir a público para pedir desculpas tem muito valor, e poucos homens teriam coragem de fazer isso", afirmou Michelle. Michelle Bolsonaro publica vídeo de resposta às desculpas de Flávio Após a trégua por meio das redes, Flávio falou por cerca de uma hora no YouTube e não tocou no assunto. Ao encerrar a live, o senador se dirigiu a "injustiçados que estão sendo perseguidos" e "famílias que estão espalhadas pelo mundo com medo de voltarem" para o Brasil. Um dos nomes citados por ele foi o de Paulo Figueiredo, youtuber que, no final de junho, disse em transmissão ao vivo que as mulheres "votam muito mal", especialmente as solteiras. A fala de Figueiredo foi uma reação ao vídeo em que Michelle Bolsonaro disse ter sido maltratada e humilhada por Flávio, divulgado em junho. Na época, a equipe de Flávio divulgou uma nota afirmando que o senador repudiava as falas de Figueiredo sobre mulheres e esclareceu que o aliado não fazia parte de sua pré-campanha. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao g1 que a ex-primeira-dama aguardava um pedido público de Flávio para voltar a participar da campanha presidencial. Segundo ele, essa era uma condição colocada por Michelle nas conversas que os dois vinham mantendo nas últimas semanas. Flávio lida com um momento de crise na pré-campanha. A fala dele atacando as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na últimaterça (21) repercutiu entre aliados, que o alertaram sobre a possibilidade de perder votos de eleitores independentes. Tal pai, tal filho O senador adotou a prática do pai de fazer lives semanais. Nesta quinta, além disso, vestia uma camiseta do Brusque, time de futebol de Santa Catarina, em mais um gesto que emula os hábitos do ex-presidente. No cenário, mais uma vez, havia uma bandeira do Brasil pendurada. "Vou fazer como o presidente Bolsonaro fazia aqui e mostrar algumas matérias para vocês, absurdas. Eu tenho que atrair alguns assuntos aqui, porque na grande mídia você não ouve", disse. "Não caiam na narrativa da grande imprensa. Vão tentar me despedir de tudo quanto é jeito, me atacar com mentira, distorcendo os fatos, potencializando um monte de acusação mentirosa. Já fizeram isso com o meu pai com Bolsonaro vão querer fazer comigo também", afirmou.